Eu não sei por que as pessoas temos mania de fazer coisas mesmo não querendo o resultado dessas coisas. Quando vemos, fizemos. E nem teve pra quê… foi assim, sem motivo, destruindo sua vida depois daquilo, como se realmente importasse. Amanhã, nada disso importará.
Engraçado que há coisas que eu faço de má fé, mas a maioria das coisas que eu faço e que parecem de má fé, eu estava tentando fazer de boa fé. Mais alguém passa por isso?
Às vezes eu acho que erro tanto se formos considerar minha dedicação para não fazê-lo. Fico pensando em como seria se eu não me dedicasse!
Ah, hoje eu errei. Na verdade, eu nem acho que errei, mas me colocaram no erro como se eu tivesse cuuuuulpa mesmo, mas eu não tenho. E parece que sou uma pessoa de amizade tão irrelevante que consideram esse meu erro, que nem é meu, suficiente para arriscá-la. Criar desavenças, essas coisas. Fico pensando quase sempre no meu instrutor de Yôga. Parece que ele nunca erra feio. Errar ele deve errar, mas ele não deve cometer os deslizes que eu cometo, eu se enfiar nas esparrelas que eu me enfio. Queria ser uma pessoa assim: imune a esparrelas. Então eu penso: como o Dani faria se estivesse no meu lugar? Dani, meu pai, meu namorado. Sei lá, são pessoas que conseguem saber o que fazer. Eu nunca sei o que fazer.
Pelo menos agora eu não carrego culpa por algo que não fiz. Geralmente eu carrego culpa pelo que fiz, pelo que eu não fiz, pelo que fizeram em volta de mim. É difícil eu ter essa consciência de saber que eu estava fazendo tudo na medida do possível. Afinal, errar, também, é completamente humano.
Magoa-me que pensam que as pessoas podem escravizar as outras. Escravizar a mente delas, arrancar-lhe os desejos e fazerem como bem entendem. Acontecem que, infelizmente, não podem. Se pudessem, estaríamos ainda na ditadura e não teria o Funk. Qualquer pessoa com o mínimo desejo de manter a sociedade em ordem tiraria o funk, acho.
Eu sempre fui insegura nisso de ter a preocupação com o que o outro quer. É porque me chateia tanto que as coisas não sejam como penso, quero, planejo que eu tenho muito cuidado para ver o que a outra pessoa quer. Daí as coisas não acontecem como eu quero, mas pelo menos eu não causei a angústia que eu estou sentindo pelas coisas fugirem do que penso. É melhor a angústia de um desejo não realizado que a culpa de causar essa angústia.
Eu acho que daria certo se sempre pensássemos na consequência das coisas. Eu não consigo pensar assim sempre, mas seria muito bom. Para mim, eu iria diminuir as coisas que faço e falo… isso ajudaria muito o mundo a ser mais suportável. Já viu o tanto de coisa desnecessária que fazemos? Esse post, por exemplo, ele deveria ser queimado e não postado. Mas não teria graça. No fim, ele não é ameaçador, porque ninguém ou quase ninguém o lê. A repercussão, assim, é diminuta, não há perigo. Futuramente, poderei ler e pensar: nossa… estava ruim! Agora não tem isso mais, ainda bem.
Eu estou bem. Estou bem com minha família, com meus amigos, com minhas tarefas, com meu namorado-mais-que-príncipe, com minhas pesquisas… com quase tudo enfim. Mas há problemas pequenos, irrelevantes, chateantes e de inexistência completamente desnecessária, que me chateiam. Que me fazer ser ingrata com as tantas coisas boas que tenho, nas quais eu deveria me focar. São as coisas boas, enfim, que realmente importam. Mas eu não consigo deixar de ver essas rachaduras infiltrando meu humor. Então precisei escrever.
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